Após sofrer racismo, Marinalva batalha para criar delegacia especializada

O mês de novembro é um marco nas discussões sobre igualdade de direitos e oportunidades para a população negra no Brasil. As reflexões que decorrem durante todo o mês, a cada ano, ajudam a pavimentar o caminho de luta contra a discriminação étnico-racial.  

A advogada e jornalista Marinalva Pereira, sabe muito bem o verdadeiro significado da busca por direitos. Há 10 anos, ela batalha pela criação de uma delegacia especializada em crimes raciais e delitos de intolerância a (Decradi), em Mato Grosso do Sul.

Marinalva durante entrevista (Foto Luciano Muta)

Em entrevista ao Diário Digital, a jornalista lembrou o episódio de racismo praticado contra ela em 2011, e a partir disso iniciou sua batalha para tentar criar a delegacia.” Após o racismo que sofri fui atrás de uma delegacia especializada para me atender e em Mato Grosso do Sul, não tem. Fiz um requerimento encaminhei para o Governador do Estado para que fosse criada uma delegacia especializada em racismo, mas ele disse que não era possível, mas iria disponibilizar duas delegacias que já existem para esse tipo de atendimento, mas até agora só ficou no papel”, explica.

“Infelizmente em MS não tem delegacia para quem sofre racismo, preconceito entre outros, ainda continuo lutando e acredito que precisa ter uma delegacia preparada para esse atendimento especifico”, ressalta.

Em relação ao episodio de racismo que Marinalva sofreu ela ganhou uma ação na justiça contra o crime. ” Mas além do que sofri há 10 anos atrás, sofro preconceito todos os dias, as pessoas perguntam o que essa negra está fazendo aqui?, Sou apresentadora de TV, colunista, radialista e advogada estou em exposição sempre e lutando diariamente contra o preconceito” desabafou.


Em Mato Grosso do Sul, há uma coordenadoria da igualdade racial, que realiza projetos voltados às comunidades negras.

Na última semana, o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, polemizou a possibilidade de mudar o nome da fundação. Ele fez diversas postagens contra grupos que combatem o racismo, além disso ele, desdenhou a importância de Zumbi do Palmares e disse que pensa em mudar o nome da fundação para Fundação Princesa Isabel, em referencia à monarca que assinou a Lei Áurea em 1888. A atitude recebeu diversas críticas de militantes. ” Zumbi foi um grande líder. Não concordo com a mudança do nome. Isso é desmerecer toda uma história”, afirma.

A jornalista deixou um recado para dia 20 de novembro. ” Eu gostaria que todo dia 20, não pudesse ser comemorada a por causa da cor da minha pele e sim pelo que sou, em respeito ao ser humano. Cada um deve ter a consciência de somos todos iguais. Conviver com seu irmão por igualdade, se não for assim a guerra permanece e quem perde é a humanidade”, finalizou.

Fonte: Agência Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *